Sporting 1 FC Porto 2

Teve golos, casos e polémicas de arbitragem. E teve também, comecemos por aí, um vencedor merecido. Para ser um clássico maior, faltou-lhe um pouco mais de qualidade e menos erros febris, os maiores responsáveis pelos suplementos de emoção durante 90 minutos. Mas isso seria pedir demasiado a duas equipas que chegavam a Alvalade a lamber feridas recentes.

O clássico dos convalescentes sorriu ao F.C. Porto e aliviou a contestação a Jesualdo Ferreira. O dragão vira a página negra de Londres no topo da tabela, até ver sem companhia, e tem a seu crédito quatro pontos conseguidos nas visitas a Lisboa. É um saldo amplamente positivo para uma equipa que, sem resolver todos os seus problemas de reconstrução, e sem o brilho dos anos dourados, respondeu com a concentração e competitividade de outros tempos.

Em sinal contrário, se a vitória sobre o Basileia tinha atenuado alguns problemas momentâneos do leão, a segunda derrota seguida frente a um adversário directo deixa a nu as suas limitações. Mesmo tendo mais bola e mais ataque, sem os lesionados Vukcevic e Izmailov, o leão poucas vezes pareceu capaz de romper a teia a meio-campo, com o passar dos minutos naquela longa segunda parte a acentuar a impressão de domínio estéril, com o F.C. Porto a desperdiçar ainda algumas oportunidades para o KO.

O jogo acabou por dar mais do que prometia: os primeiros minutos, mauzinhos, foram tributo lógico a ao rótulo de «proibido perder» que as equipas transportavam às costas. Muita luta a meio-campo, pressão intensa em espaços curtos e muitos passes falhados nas saídas para o ataque. Mais intranquilo nesse particular, o Sporting foi penalizado por uma ingenuidade de Grimi, que abordou uma dividida à confiança com Tomaz Costa, quando a equipa saía para o ataque. O desequilíbrio foi o suficiente para que Lisandro reaparecesse como protagonista, assinando (19 m) o seu primeiro golo desta Liga.

O habitual 4x4x2 de Jesualdo em jogos grandes era disfarçado com a colocação de Lucho na direita, num desenho que reforçava solidez a meio-campo. Com Yannick no lugar de Romagnoli, aposta de Paulo Bento para tentar disfarçar o défice de velocidade, o Sporting penava para colher resultados da estratégia. Mas nove minutos depois, um penalty generoso que Lucílio Baptista detectou, após um encosto de braço de Tomaz Costa a Moutinho, permitiu ao capitão do Sporting consumar um empate caído do céu.

Na resposta, Bruno Alves começava a construir uma noite de glória, com um livre directo perfeito que deixou Rui Patrício sem reacção. A bolha de optimismo leonino não chegara a durar dois minutos. Além da vantagem no marcador, o F.C. Porto tinha agora, também, um claro ascendente psicológico sobre um leão sem espaço nem tempo para encontrar serenidade.

Ao intervalo, Paulo Bento iniciou um ciclo de mudanças que não deixaria pedra sobre pedra até ao final do jogo. Saía o infeliz Grimi, entrava o esforçado Pereirinha, Miguel Veloso passava para a esquerda. Resultados práticos, nenhuns: foi o F.C. Porto a passar perto do golo, em nova bomba de Bruno Alves, em cheio na trave (53 m).

O jogo aquecia e Jesualdo mexia, para poupar Tomaz Costa à expulsão e para dar mais dinamismo às saídas em contra-ataque com Mariano. Rodríguez (bela segunda parte) voltou a passar a centímetros do golo e na resposta Paulo Bento esticou a corda, lançando Romagnoli e Liedson, sem se perceber por que razão Postiga, novamente um dos melhores, tinha de ser o sacrificado.

Por esta altura, o destino do jogo estava quase traçado. E foi uma perdida incrível de Derlei, após insistência de Romagnoli (71 m) a escrever a sentença. A partir daí ficou ainda mais claro que esta não era noite para o leão, tanto mais que Bruno Alves, imperial, mandava em todos os lances próximos da sua área. Com o jogo partido, o F.C. Porto ainda assinou mais uns contra-ataques ameaçadores, frente a um Sporting atirado para a frente, sim, mas sem lanterna para encontrar a porta de saída para a depressão.






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